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riscos_e_rabiscos

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A ferver...!

Literalmente. A ferver! E não é só pelo calor que se fez sentir hoje, não. É pela falta de consideração pelo meu trabalho, pela minha pessoa, e por não enxergarem mais nada para além do seu umbigo.

 

Eu já tinha marcado os meus testes há imenso tempo. Falei com os meus colegas para que, ao marcar os meus testes, não coincidissem com os deles. Na sequência disto, informei-os da data dos meus testes nas suas turmas. Ninguém levantou problemas. A seguir fui ao Moodle e publiquei a data dos testes, além da matéria que ia sair, assim que cumpri o que estava previsto. Ah, mas antes avisei as turmas, como é claro. Mas como há gente que come muito queijo, a informação fica disponível no Moodle (e eu ainda mando mail aos pais).

 

Há umas semanas atrás, veio uma mamã pedir-me para não marcar testes no mesmo dia da professora titular da filha. E isto porquê? Por que a professora titular resolveu fazer teste quando lhe deu mais jeito, calhou no mesmo dia do meu que, por acaso, já estava marcado há que séculos.

Ontem esta mamã encontrou-me. Com uma lata do caraças disse-me "ó professora, eu tinha-lhe pedido para não marcar teste no mesmo dia da professora titular..." Só me apeteceu mandá-la à m*rda. Sinceramente. Ela pediu-me para não marcar no MESMO dia, mas parece-me que por conveniência pessoal, lhe dava mais jeito na última semana de aulas. Respondi-lhe à letra "é impossivel não marcarmos testes das nossas disciplinas na mesma semana, além disso eu não posso mudar o meu porque tenho um aluno que vai para fora na última semana de aulas..."

 

Hoje recebi um mail de outra mamã a dizer que a professora titular ia fazer teste no mesmo dia que eu e se eu não podia mudar para outro dia. Só podem estar a gozar!!! Porque não propõem isso à prof, titular?!? É que eu só tenho uma aula de 45 minutos por semana com a turma, e a prof. tem todos os dias das 9h até às 3h da tarde! Para além disso, tenho uma planificação a cumprir e tenho de ter matéria para o teste para poder avaliar devidamente os miúdos, não?!!? Já para nem falar que os meus 45 minutos dess turma, são sempre roubados: 5 a 10 minutos porque a professora não acabou tudo que tinha para dar, deixar os miúdos ir ao WC e finalmente, acalmar. Se as mamãs não dão valor ao inglês, como uma me disse por mail, eu não tenho nada a ver com isso. Eu sou profissional e tenho brio naquilo que faço.

 

Estou fartinha destas mamãs belicosas. E uma das mamãs se fosse matar os piolhos à filha e a ela própria (sim, andam a passera a olho nu por todo o cabelo, dizem as más linguas) fazia muito melhor. Mamãs, bah!

Coisas que me irritam!

 

Há não sei quanto tempo que tenho os meus testes marcados, feitos e entregues para fotocopiar nas escolas. Gosto de fazer as coisas com tempo. Just in case... não vá o diabo tecê-las! (cruzes, canhoto!)

 

Esta semana tem sido uma daquelas semana em que dia sim-dia sim há teste, seja nesta ou naquela escola. Sendo que nesta escola, aquilo que eu pedir porque preciso para trabalhar, está sempre feito a tempo e a horas, não me lixando o meu dia de trabalho.

 

Hoje foi dia daquela escola. Mais um dia de teste. Chego à escola e dirijo-me à reprografia. Vejo os meus originais em cima de um monte de papelada desorganizada. Sim, porque o middle name daqueka escola é desorganização. Espreito aqui, ali... nada! começo a sentir uns calores a subir pelo pescoço. Vou à procura da directora que é a única que pode tirar fotocópias. É que se for outra pessoa, pode levar alguma folha, o que é crime qualificado e a escola vai à falência!!! Sim, porque se acusam as pessoas de roubar rolos de papel higiénico...

 

Anyway, a directora estava desaparecida. Contei às minhas colegas o sucedido e todas convergimos à mesma ideia "se fossemos nós a não ter o trabalho feito, éramos queimadas em praça pública".

Lá improvisei uma aula para a turma que iria fazer teste. Sim, porque isto de se ser professor tem uma percentagem de actor, inventor e cientista. Pelo menos eu não faço as coisas em cima do joelho, há que pensar, elaborar e executar depois.

De repente, abrem-me a porta da sala: era a directora que é tão bem educada que nem à porta bateu, é tudo dela! "Desculpe professora mas não pude tirar as suas fotocópias... partiu-se uma peça da máquina... já cá esteve o técnico mas não arranjou... amanhã vou-lhe ligar outra vez..."

 

Não é por nada mas se o nariz crescesse sempre que as pessoas mentem ou se tentam descartar das suas responsabilidades, muitas seriam proibidas de sair à rua sem cortar o nariz!

E é isto que me irrita: a irresponsabilidade, a hipocrisia, o cinismo, o fazer as coisas para inglês ver, a incompetência... Ou os elementos non-gratos vão leccionar para outro lado ou esta escola vai mesmo à falência... Ai vai, vai!

 

 

Ajudante Precisa-se! Urgente!

 

 (Pilha de testes para corrigir)

 

Precisa-se de ajudante qualificado, do sexo masculino ou feminino, com desenvolta motricidade aos nível das mãos, designadamente velocidade na movimentação dos dedos. Pretende-se que consiga (eu não disse saiba...) distinguir o certo e o errado, procedendo à sua identificação através de marca gráfica colorida, gosto em manuseamento de papel, prazer em cortes de dedos feitos por papel, e musculatura forte para carregamento de resmas. Horário de trabalho flexível, sem remuneração paga a recibos vermelhos.

 

Os candidatos interessados deverão enviar CV para a Miss Pepper a fim de marcar entrevista de selecção. Critérios de avaliação muito elevados.{#emotions_dlg.clown}

Rescaldo Dos Últimos Dias

 

Ando desaparecida, eu sei. Mea culpa. Quer-se dizer, a culpa não é bem “mea”, é mais dos testes das minhas 9 turmas, das avaliações, dos projectos de turma com prazo para ontem mas de que só nos informaram hoje e, por fim, das reuniões com horas infindáveis. Ah, e isto quase sempre com aulas ao mesmo tempo…

 

Quem disse que os professores não trabalham? Proponho a essas pessoas trocar de profissão só uma semaninha. É que nas outras profissões, trabalha-se durante o horário estabelecido e chega-se àquela hora, pára-se. Os profes não. Temos o horário definido e temos o “trabalho de casa”, como preparar aulas, materiais, avaliações, etc. Ok, reconheço que este trabalho até se podia fazer na escola mas assim sendo, teria que lá dormir e talvez, sublinho, talvez conseguisse vir a casa ao fim-de-semana. Pronto, já sabem o motivo da minha “ausência”.

 

Que os tempos já não são o que era já todos demos por isso. E que as crianças sabem mais do lhes ensinaram, também é do conhecimento público. Pelo menos no que toca a malandrices…

Não é que apanhei dois alunos a copiar descaradamente?! Com cábulas!!! E o mais giro é que não foram alunos mais velhos mas sim um do 1º ano e outro do 2º ano! Vejam lá onde já chegámos! Eu nem queria acreditar quando vi…

 

Passo a explicar: o aluno do 1º ano, com dúvidas numa determinada parte do teste, decidiu sacar o seu portefólio e ir “consultar” a informação. É que a teacher não quer que nada fiquei por fazer… Cof! Cof! Cof!

Depois uma “anjinha” – loirinha, com caracóis e fofinha - do 2º ano tinha uma cábula em papel, um quadradinho de papel que a colega tinha “deixado cair para o chão” quando saiu da sala. E ela depois passou a matéria para um bocadinho da sua folha de papel. Assim já não é considerado cábula pois foi só “para se lembrar” da matéria e o papelinho até estava escondido debaixo da folha do teste…

 

Agora digam lá que os putos não estão a ficar espertos que nem um alho…!!!

 

 

Afinal Se Calhar Até Nem Somos os Últimos

 

 

É verdade! Por mais inacreditável que possa parecer, existe alguma coisa em que não somos os últimos, em que não estamos lá bem no fundinho da lista.

 

Estava eu a almoçar enquanto ouvia os acontecimentos diários nacionais e internacionais num qualquer telejornal da hora de almoço, quando oiço uma notícia, simples e inócua, mas que a mim me deixou de orelha em pé.

 

Realizou-se um estudo no Canadá, cuja conclusão indicou que o uso da caneta vermelha nas correcções de testes e trabalhos de alunos têm uma conotação negativa.

Ah pois é! Mas isso já alguns professores Tugas sabem há algum tempo e não foi preciso fazer nenhum estudo sobre canetas, as suas cores e conotações implícitas e efeitos nos alunos. Não precisamos de gastar os últimos cobres dos contribuintes Tugas para fazer um qualquer estudo sobre canetinhas. Afinal somos um país em crise e à beira da recessão económica. Pelo menos é o que dizem…

 

Mas voltando aos objectos escritores, dos quais eu até sou muuuito apreciadora… Eu ainda sou do tempo em que os nossos orientadores de estágio – sim, eram orientadores e não tutores como modernamente se designam – nos explicavam as “desvantagens” e efeitos psicológicos negativos exercidos nos alunos aquando da correcção de testes e trabalhos com a famosa… caneta vermelha!

 

A bem da verdade, nunca gostei muito de canetas vermelhas, sempre fui uma pessoa, digamos, alternativa. Não é que não goste de vermelho, que é a cor da paixão, do coração e do maior clube de futebol português. Não. Apenas acho que as correcções feitas a outras cores dão mais “cor” e “alegria” ahahahahaha às pobres folhinhas brancas monotonamente escritas a preto ou azul.

Quantas e quantas vezes, as canetinhas coloridas não preenchem aquelas folhinhas de teste ou trabalho com conteúdos tão parcos? E que bem que ficam os certos, os errados e os comentários a cores alegres, preenchendo o vazio das folhas!

 

Alunos meus não levam com a canetinha vermelhinha. Aqui a teacher, recorre ao seu estojo repleto de canetas coloridas, enfia os deditos lá dentro e saca qualquer umas das suas amigas escritoras sempre que precisa de “colorir” testes e trabalhos.

 

E só para matar a curiosidade, devo contar-vos que as canetas que mais utilizo são, verdes, roxas, rosas ou castanhas. Alternativo, não?

 

 

Over and Out

 

Sinto-me nas últimas a todos os níveis. Mesmo. Estou com a síndrome da sexta-feira. Estava mesmo era a precisar de mais que dois dias de descanso.

 

Esta semana tem sido terrível a fazer e corrigir testes e trabalhos. A preparar aulas e a pensar nas actividades de Easter e Father’s Day. Logo o Dia do Pai tinha de calhar em férias que é para o pessoal andar pirado da batatinha e às pressas. Não chegava uma actividade, tinham que ser duas e logo seguidinhas! Acaba por ser mais trabalho para nós do que para os putos. Pensar e fazer!

 

Ontem estava cheia de remorsos porque me sentia a “abandonar” os vossos blogs. E como já estava saturada de corrigir testes mas não o podia deixar de fazer, resolvi ir corrigindo testes e lendo e comentando os vossos blogs. Sei que faltou ler alguns mas chegou a uma altura em que pifei mesmo!

 

Se por acaso notaram ou eu disse algo estranho nos comentários aos vossos posts, já sabem o motivo… foi devaneio do momento e nem dei por isso.  Assumo!

(Ir)Responsabilidade

 

 

Dou aulas desde o século passado mas nunca me aconteceu uma situação destas. Talvez sejam inovações da Nova Era. Ou alguma mutação genética. Ou até mesmo seres geneticamente modificados… Quem sabe!

 

A semana antes das férias do Carnaval é aquela em que se costumam realizar testes de avaliação. Não é por nada mas as avaliações têm de ser feitas e corrigidas e, para não andar a correr para trás e para a frente a dar aulas e a corrigir testes, resolvi fazê-lo mais calmamente nas ferias. Até porque eu só voltaria a dar aulas no colégio na sexta-feira porque não tenho aulas à quinta.

 

No dia dos testes, houve um mini-marmanjo que me faltou ao teste. Nem água vai, nem água vem. Faltou e pronto. Qual justificação, qual quê! Recados escritos?! Qué isso?!

O mais engraçado é que a mãe é minha colega, portanto, professora de Inglês também. Mas em clara vantagem profissional, diga-se!

Pensei para com os meus botões: hummm… gostava de saber o que ela faz aos alunos dela que lhe fazem isto! No mínimo, não os deve deixar a fazer teste…

 

Instalei-me confortavelmente na minha cama – de solteira que tem umas almofadas excelentes! – e preparei os testes para começar a rabiscar (percebem agora o nome do blog? Riscos e rabiscos… Sim?).

Grelha de correcção a jeito, caneta na mão – desta vez corrigi a cor de rosa* - testes no colo… Três, dois, um… rabiscar! Quer dizer, corrigir!

 

Depois de ver a minha turma do 3º ano, constato que me falta o teste de um aluno. Revoltei a minha mala, os testes todos, as papeladas, os livros e… nada! Pensei que a única alternativa era o miúdo fazer de novo o teste. Não queria prejudicá-lo com a falta da avaliação escrita. E meti um teste na mala.

 

Primeiro dia de aulas: entrega e correcção dos testes. Devo dizer que tive prai 15 cem por centos. Os do 4º ano não comento, embora não tenha havido uma única negativa. Revolta-me miúdos inteligentes não aproveitarem as suas capacidades.

Assim que cheguei ao colégio, fui à sala do 3º ano à procura do aluno cujo teste eu não tinha. Perguntei:

- V. entregaste o teu teste? É que revoltei a minha casa toda e não o encontrei…

- Não, teacher… - coloca a mão debaixo da mesa e puxa umas folhas – está aqui!

- Então tu não entregaste o teste?! Ai que cabeça!

O meu aluno “faltista” ao teste, foi catrapiscado no meio do corredor e arrastado para a minha sala para fazer o teste.

 

É só distracções e complicações, dores de cabeça e nervos à mistura. No entanto, resisto.